quarta-feira, 20 de maio de 2009



 Como a Revolução Francesa não teve apenas por objetivo mudar um governo antigo, mas abolir a forma antiga da sociedade, ela teve de ver-se a braços a um só tempo com todos os poderes estabelecidos, arruinar todas as influências reconhecidas, apagar as tradições, renovar costumes e os usos e, de alguma maneira, esvaziar o espírito humano de todas as idéias sobre as quais se tinham fundado até então o respeito e a obediência.

    As instituições feudais do Antigo Regime iam sendo superadas à medida que a burguesia, a partir do século XVIII, consolidava cada vez mais seu poder econômico.

    A sociedade francesa exigia que o país se modernizasse, mas o entrave do absolutismo apagava essa expectativa.

    O descontentamento era geral, todos achavam que essa situação não podia continuar. Entretanto, um movimento iniciado há alguns anos, por um grupo de intelectuais franceses, parecia ter a resposta. Esse movimento criticava e questionava o regime absolutista. Eram os iluministas, que achavam que a única maneira possível de a França se adiantar em relação à Inglaterra era passar o poder político para as mãos da nova classe, isto é, a burguesia (comerciantes, industriais, banqueiros). Era preciso destituir a nobreza que, representada pelo Rei , se mantinha no poder.

    A monarquia absoluta que, antes, tantos benefícios havia trazido para o desenvolvimento do comércio e da burguesia francesa, agora era um empecilho. As leis mercantilistas impediam que se vendessem mercadorias livremente. Os grêmios de ofício impediam que se desenvolvessem processos mais rápidos de fabricação de mercadorias. Enfim, a monarquia absoluta era um obstáculo, impedindo a modernização da França. Esse obstáculo precisava ser removido. E o foi pela revolução.

    A Revolução Francesa significou o fim da monarquia absoluta na França. O fim do antigo regime significou, principalmente, a subida da burguesia ao poder político e também a preparação para a consolidação do capitalismo. Mas a Revolução Francesa não ficou restrita à França. suas idéias espalharam-se pela Europa, atravessaram o oceano e vieram para a América latina, contribuindo para a elaboração de nossa independência política. Por esse seu caráter enumênico é que se convencionou ser a Revolução Francesa o marco da passagem para a Idade Contemporânea. 

A situação da França antes da revolução 

A economia

    A situação econômica da França era crítica. A maioria da renda vinha da agricultura, onde as técnicas eram atrasadas em relação ao consumo do país. Dos 26 milhões de habitantes, 20 milhões viviam no campo em condições de vida extremamente precárias. Uma parte dos camponeses estava ainda sob o regime de servidão.

    Um comerciante, para transportar suas mercadorias de um lado para outro do país, teria que passar pelas barreiras alfandegárias das propriedades feudais, pagando altíssimos impostos, o que impedia os comerciantes de venderem livremente suas mercadorias.

    Para piorar a situação, parece que ate a natureza ajudou a revolução: entre os anos de 1784 a 1785 houve inundações e secas alienadamente, fazendo com que os preços dos produtos ora subissem, não dando condições para que os pobres comprassem, ora descessem, levando alguns pequenos proprietários à falência.

    A situação da industria francesa não era melhor, pois parte dela ainda estava sob o sistema rural e domestico, e as corporações (grêmios) impediam o desenvolvimento de novas técnicas. Como se não bastasse, o governo francês assinou o seguinte tratado com o governo inglês: os franceses venderiam vinhos para os ingleses, e estes venderiam panos para os franceses, sem pagar impostos, o que levou as manufaturas francesas a não suportarem a concorrência dos tecidos ingleses, entrando numa grave crise. 

A sociedade

    A sociedade francesa, na época, estava dividida em três partes, conhecidas como Estados: 

• Primeiro Estado - era o clero francês e estava dividido em alto e baixo. O alto clero era composto por elementos vindos das ricas famílias da nobreza, possuindo toda a sorte de privilégios, inclusive o de não pagar impostos. O baixo clero era o pobre, estando ligado ao povo em geral e não à nobreza, como o primeiro.

• Segundo Estado - era a nobreza em geral. Os privilégios eram incontáveis, sendo que o mais importante era a isenção de impostos. Ha que se salientar aqui que a nobreza também estava dividida: a nobreza cortesã, que vivia no palácio, e outros setores da nobreza, que viviam na corte, recebendo pensões do Rei, onerando os seus castelos, no campo, as custas do trabalho de seus servos. À medida que a crise aumentava, essa nobreza que viviam no campo aumentava a pressão sobre seus servo, favorecendo o clima de insatisfação.

• Terceiro Estado - era constituído de todos aqueles que não pertenciam nem ao Primeiro nem ao Segundo Estado. Afinal, o que era o Terceiro Estado?

    Era o setor da sociedade francesa composto pela maioria esmagadora da população, sobre cujos ombros recaia todo o peso de sustentação do reino francês. Esse setor era composto, na sua maioria, pelos camponeses que, com um árduo trabalho, forneciam os alimentos para toda a França, além de terem de pagar pesadíssimos impostos.

    Finalmente, os membros mais destacados do Terceiro Estado, quanto a liderança: a burguesia. Esta se dividia em pequenos burgueses (pequenos comerciantes, artesãos), uma camada média (composta de lojistas, profissionais liberais) e a alta burguesia (grandes banqueiros, comércio exterior). 

    O Terceiro Estado será aquele que, pelo peso das responsabilidades, se levantará contra a opressão do Estado Absolutista. Os camponeses terão papel importante, os pobres das cidades também, mas a liderança e os frutos dessa revolução caberão a uma fração do Terceiro Estado: a burguesia.

    A política na França pré-revolucionária mostrava os sinais da decadência acumulada dos outros Reis absolutos, principalmente um déficit crônico no reinado Luís XVI, que subiu ao trono em 1774.

    As críticas ao regime aumentavam dia-a-dia. Os intelectuais, baseando-se nas teoria dos iluministas, não poupavam seus escritos para criticar desesperadamente o regime. 

Os antecedentes da revolução

    O Rei, diante dessa situação, tenta alguns expediantes para resolver a questão. Convidou um iluminista de nome Neckerque começou a trabalhar imediatamente, pois queria ver sanado o mal do país. Necker, um homem de confiança do Rei, que pensa numa solução para a crise, era preciso que todos pagassem impostos na França.

    Necker faz seu primeiro ato: manda publicar as contas do Estado, onde fica claro o enorme Déficit de 126 milhões de libras Em seguida, com a anuência do Rei e da nobreza, convoca os Estados Gerais, única solução encontrada para discutir uma saída.

    Os Estados Gerais, uma assembléia de todos os Estados que desde 1614 não eram convocados, deveriam discutir mais ou menos abertamente uma solução para a crise financeira e achar uma saída para que todos pagassem impostos iguais. Todavia, o Terceiro Estado não pensava só nisso, mas também em aproveitar a oportunidade e fazer exigências de caráter político.

    A notícia da convocação dos Estados Gerais caiu como uma bomba sobre a França. Da noite para o dia todo o país foi invadido por milhares de jornais, panfletos e cartazes. Os bares e os cafés tornaram-se centro de agitação, como o famoso Café Procope. A nobreza e o Rei viam isso tudo apavorados:

    "Já se propõe a supressão dos direitos feudais... Vossa Majestade estaria acaso determinado a sacrificar e humilhar sua brava e antiga ... nobreza ?"; Este era um desesperado apelo da nobreza ao Rei.

    Como reagia o Terceiro Estado? Organizava-se ainda mais e queria as transformações imediatamente. Os Estados Gerais começaram sua reunião de abertura no dia 5 de maio de 1789, sendo que dai em diante foi impossível deter a revolução. 

A revolução estourou: as jornadas 

    O Rei abre a sessão dos Estados Gerais fazendo um discurso de advertência contra as pretensões políticas: "Estamos aqui para tratar de problemas financeiros e não para tratar de política".

    O Terceiro Estado reagiu prontamente, exigindo a qualquer custo que as reuniões fossem conjuntas e não separadamente por Estados. Diante da negação, o Terceiro Estado proclama-se em Assembléia Geral Nacional. O Rei, desesperado diante do atrevimento dos representantes populares, manda fechar a saia de reuniões. Mas o Terceiro Estado não se da por vencido e seus deputados se dirigem para um salão que a nobreza utilizava para jogos. Lá mesmo fizeram uma reunião, onde ficou estabelecido que permaneceriam reunidos até que a França tivesse uma Constituição. Esse ato ficou conhecido com o nome de O Juramento do Jogo de Pela.

    No dia 9 de julho de 1789, reúne-se uma Assembléia Nacional Constituinte, incumbida de elaborar uma Constituição para a França. Isso significava que o Rei deixaria de ser o senhor absoluto do reino.

    A burguesia francesa, por sua vez, apelou para o povo. No dia 14 de julho de 1789, toda a população parisiense avança, num movimento nunca visto, para a Bastilha, a prisão política da época, onde o responsável pela prisão foi preso e enforcado.

    O momento agora e dos camponeses, que percebem a fraqueza da nobreza e invadem os castelos, executando famílias inteiras de nobres numa espécie de vingança, de uma raiva acumulada durante séculos. Avançam sobre a propriedade feudal e exigem reformas. A burguesia, na Assembléia, temerosa de que as exigências chegassem também às suas propriedades, propõe que se extingam os direitos feudais como única saída para conter o furor revolucionário dos camponeses. A 4 de agosto de 1789, extingue-se aquilo que por muitos séculos significou a opressão sobre os camponeses.

    A burguesia, preocupada em estabelecer as bases teóricas de sua revolução, fez aprovar, no dia 26 de agosto do mesmo ano, um documento que se tornou mundialmente famoso: A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. 

O processo revolucionário 

1ª fase - Assembléia Nacional Constituinte

    Um dos atos mais importantes da Assembléia foi o confisco dos bens do clero francês, que seriam usados como uma espécie de lastro para os bônus emitidos para superar a crise financeira. Parte do clero reage e começa a se organizar Como resposta, a Assembléia decreta a Constituição Civil do Clero isto é, o clero passa a ser funcionário do Estado, e qualquer gesto de rebeldia levara a prisão.

    A situação estava muito confusa. A Assembléia não conseguia manter a disciplina e controlar o caos econômico. O Rei entra em contato com os emigrados no exterior (principalmente na Prússia e na Áustria) e começam a conspirar para invadir a França, derrubar o governo revolucionário e restaurar o absolutismo.

    Para organizar a contra-revolução, o monarca foge da França para a Prússia, mas no caminho e reconhecido por camponeses, é preso e enviado à Paris. Na capital, os setores mais moderados da Assembléia conseguiram que o Rei permanecesse em seu posto.

    A partir daí uma grande agitação tem início, pois seria votada e aprovada a Constituição de 1791. Esta constituição estabelecia, na França, a Monarquia Parlamentar, ou seja, o Rei ficaria limitado pela atuação do poder legislativo (Parlamento).

    Neste poder legislativo era escolhido através do voto censitário e isso equivalia dizer que o poder continuava nas mãos de uma minoria, de uma parte privilegiada da burguesia. Resumindo, o que temos é uma Monarquia Parlamentar dominada pela alta burguesia e pela aristocracia liberal, liderada, por exemplo, pelo famoso La Fayette, é o total afastamento do povo francês.

    Os setores populares estavam descontentes, porque continuavam ainda sob o despotismo, não o da monarquia absoluta mas o despotismo dos homens do dinheiro, setores tradicionais da nobreza e do clero conspiravam, com a anuência do Rei, para tentar restaurar o antigo regime. 

    Os grupos políticos organizavam-se para definir suas posições:

    No recinto da Assembléia, sentava-se à esquerda o partido liderado por Robespierre, que se aproximava do povo: eram os Jacobinos ou Montanheses (assim chamados por se sentarem nas partes mais altas da Assembléia); ao lado, um pequeno grupo ligado aos Jacobinos, chamados Cordeliers, onde apareceram nomes como Marat, Danton, Hebert e outros; no centro, sentavam-se os constitucionalistas, defensores da alta burguesia e a nobreza liberal, grupo que mais tarde ficará conhecido pelo nome de planície; à direita, ficava um grupo que mais tarde ficará conhecido como Girondinos, defensores dos interesses da burguesia francesa e que temiam a radicalização da revolução; na extrema direita, encontram-se alguns remanecentes da aristocracia que ainda não emigrara, conhecidos pelo nome de negros ou aristocratas, que pretendiam a restauração do poder absoluto.

    Quanto a situação externa, o clima era de total apreensão. As monarquias absolutas vizinhas olhavam para o que estava acontecendo na França com grande temor. Tanto é verdade, que alguns elementos emigrados da nobreza francesa pretendiam que países como a Áustria e a Prússia iniciassem imediatamente uma guerra contra a França. A Assembléia Legislativa, sabedor dessa situação, raciocinava da seguinte forma: ou expandimos o ideal revolucionário para esses países ou, então, a França Revolucionaria ver-se-á isolada e condenada ao fracasso. Daí a Assembléia também pensar na guerra.

2ª fase - Assembléia Legislativa

    A Assembléia Legislativa francesa exigiu da Áustria e da Prússia um compromisso de não invasão e, como não foi atendida pelas monarquias absolutas, declarou guerra a 20 de abril de 1792.

    Luís XVI exultava, pois esperava que os exércitos franceses fossem derrotados para que ele pudesse voltar ao poder como Rei absoluto; dessa forma, o Rei e a Rainha, a famosa Maria Antonieta, entram em contato com os inimigos, passando-lhes segredos de guerra.

    A atuação dos exércitos franceses foi um fracasso no campo de batalha.

    Na Assembléia, Robespierre denuncia a traição do Rei e dos generais ligados a ele, que também estavam interessados na derrota da França Revolucionaria. Num discurso aos jacobinos, Robespierre dizia:

"Não! Eu não me fio nos generais e, fazendo exceções honrosas, digo que quase todos têm saudades da velha ordem, dos favores de que dispõe a Corte. Só confio no povo, unicamente o povo."

    Nas ruas de Paris e das grandes cidades, os sans culottes (maneira como os pobres das cidades se identificavam) se agitavam pedindo a prisão dos responsáveis pelas derrotas da França diante dos exércitos austríacos e prussianos. 

3ª fase - A Convenção Nacional

    A 2 de setembro, pela manha, chegou a Paris a notícia de que Verdun estava sitiada; Verdun, a última fortaleza entre Paris e a fronteira. Imediatamente, foi lançada uma proclamação aos cidadãos: "À s armas cidadãos, às armas! O inimigo está às portas !" Vários prisioneiros, suspeitos de ligação com o antigo regime, foram massacrados pela população.

    No dia 20 de setembro de 1792, chegou a Paris a notícia da esmagadora vitória dos exércitos franceses sobre os exércitos prussianos e, no mesmo dia. foi oficializada a proclamação da República, a primeira da França. Agora, o órgão que governará a França será a Convenção eleita por voto universal.

    A situação dos "partidos" políticos ficou mais nítida com a Convenção: 

• À direita, o grupo dos girondinos defendendo os interesses da burguesia, que nesse momento estava dominando a Convenção.

• No centro, o grupo da planície (ou pântano), defendendo os interesses da burguesia financeira, mas tendo uma atitude oportunista dizia-se estar do lado de quem estava no poder.

• À esquerda e no alto, a montanha (jacobinos), defensores dos interesses da burguesia e do povo. 

    O que fazer com o Rei? Os girondinos queriam mantê-lo vivo, pois temiam que sua execução fizesse com que o povo quisesse mais reformas, o que ia contra seus interesses. Os jacobinos queriam que o Rei fosse julgado e executado como traidor da pátria. A proposta jacobina saiu vencedora e o Rei foi executado. Os jacobinos tornavam-se cada vez mais populares e eram apoiados pelos sans culottes.

    Por sua vez, os exércitos franceses aproveitavam suas vitorias para propagar os ideais da revolução, e os países de governos absolutistas se sentiam cada vez mais sujeitos à propaganda liberal.

    O novo governo revolucionário francês fez reformas de vários níveis, mas todas elas extremamente moderadas, de tal forma que não questionassem o poder dos girondinos.

    Entretanto, os girondinos no poder viam na guerra uma forma de aumentarem suas fortunas e, por isso, quanto mais altos os preços dos produtos (alimentos, roupas), melhor para eles. Na verdade, eram eles que os vendiam e quem os comprava era o povo que, em sua extrema pobreza, não podia comprar mercadorias caras. E nessa contradição que vamos entender o porque da queda do governo da Convenção do jacobinos.

    Os sans culottes, nas ruas de Paris, exigiam reformas, controle dos preços, mercadorias baratas, salários altos, e os girondinos exigiam exatamente o contrário. Nesse momento, os jacobinos (montanheses) começam a liderar as reivindicações e conseguem que se forme a Comissão de Salvação Publica, tendo por obrigação controlar os preços e denunciar os abusos feitos pelos altos comerciantes girondinos.

    A agitação aumenta, os girondinos ficam cada vez mais temerosos diante das manifestações dos sans culottes. Aumentando a crise, uma região inteira da França, chamada Vendéia, instigada pelo clero e pelos ingleses, levanta-se num movimento contra-revolucionário.

    Entre maio e junho de 1793, o povo se levanta em Paris, cerca o prédio da Convenção e exige a prisão dos Deputados traidores, isto é, dos girondinos. Os jacobinos (montanheses) aproveitaram as manifestações de apoio dos sans culottes e depuseram os girondinos, instaurando um novo governo. 

A fase do terror - a ditadura dos jacobinos

    Agora que os jacobinos estavam no poder, era preciso controlar os movimentos populares. O governo dos jacobinos terá como característica principal sua posição moderada na esquerda. Os jacobinos fazem parte de um governo popular, mas não tomam medidas que atendam aos interesses de todas as faixas da população e sim medidas mais ligadas à pequena burguesia francesa.

    No dia 13 de julho de 1793, o ídolo popular Marat é assassinado por uma mulher membro do partido girondino. A partir daí a população exige a radicalização da revolução. Inicia-se o terror: todos os elementos suspeitos de ligações com os girondinos e com a aristocracia contra-revolucionária são massacrados ou executados nas guilhotinas, depois de julgamentos populares.

    Reformas imediatas são feitas: a principal foi a redistribuição da propriedade, surgindo condições para o aparecimento de três milhões de pequenas propriedades na França. As reformas atingem até mesmo o calendário oficial, que adquire características marcadas e anticlericais e passa a basear-se nos fenômenos da natureza. Por exemplo, o mês do calor (julho, na Europa) transforma-se no mês do Termidor; dezembro, o mês das neves (inverno), transforma-se no Nevoso.

    Robespierre tenta, com alguma habilidade inicial, manter-se no centro para governar. Aos poucos começa a atacar seus aliados da esquerda: foram presos e executados elementos como Hebert e Jacques Roux. Com a liqüidação dos elementos de extrema esquerda, Robespierre não pode contar com um apoio seguro dos sans culottes. Quer, a todo custo manter-se no meio da esquerda, incorruptivelmente. Golpeia depois seus companheiros que tinham uma posição mais próxima da direita moderada; como exemplo, temos a execução de Danton.

    Robespierre, durante a ditadura dos jacobinos, consegue uma série de êxitos: liqüida a contra-revolução da Vendeia e obtém várias vitórias contra os inimigos externos da revolução (entre esses inimigos, contava-se não só a Prússia e a Áustria, mas também a poderosa Inglaterra); acelera os processos do segundo terror, que executa, na guilhotina, vários contra-revolucionários.

    Mas o problema persistia. Robespierre tomava algumas medidas que, ao povo, pareciam anti-populares, e outras, que desagradavam a burguesia (como, por exemplo, o fato de não haver liberdade de comércio). Conspirava-se. A alta burguesia financeira, que na sua posição oportunista dentro do partido da planície, conseguiu sobreviver ao período do terror, conspirava contra o governo jacobino. Robespierre apela para os sans culottes, a fim de salvar seu governo. Mas onde estavam os lideres que podiam mobilizá-los? Todos executados. O governo jacobino estava só. 

A reação termidoriana: o golpe do 9 do Termidor

    No dia 27 de julho de 1794 (9 do Termidor, pelo novo calendário revolucionário), ao iniciar-se mais uma reunião da Convenção, Robespierre e seus partidários foram impedidos de falar, e contra eles foi imediatamente decretada a prisão. Seus partidários ainda fizeram uma desesperada tentativa de salvá-los, conclamando os sans culottes para se manifestarem publicamente e pegarem em armas contra o golpe de Estado que estava sendo dado. Mas poucos atenderam aos seus apelos. O partido da planície liderava o golpe. A alta burguesia, que havia suportado o domínio do governo jacobino, de tendência popular, queria agora se libertar e acabar de uma vez por todas com ele, para estabelecer um governo dos ricos.

    Aos poucos, o partido da planície vai dominando a situação, e uma das primeiras medidas foi executar Robespierre e todos os seus adeptos, sem ao menos julgá-los. A guilhotina funcionou sem parar: todos os elementos que poderiam exercer alguma liderança junto ao povo eram sumariamente executados. Jovens de famílias ricas organizavam-se em bandos para perseguir todos aqueles que eram considerados suspeitos de atividades revolucionarias.

    Que estava fazendo esse movimento anti-popular ? "Financistas, banqueiros, municionadores, agiotas contidos antes pelo Terror voltaram à preeminência, enquanto os nobres, os grandes burgueses e também os emigrados retomavam a tradição mundana do Velho Regime. E Começou a formar-se, assim, a burguesia nova pela fusão das antigas classes dirigentes e dos homens enriquecidos na especulação (...) e nos fornecimentos de guerra. "

    O novo governo apressa-se em tomar uma série de medidas para salvaguardar seus interesses: restaura a escravidão nas colônias (havia sido abolida anteriormente), acaba com a Lei do Máximo, que regulava os preços das mercadorias,(agora, poder-se-ía vender as mercadorias a preços os mais altos possíveis), e proíbe que se cante nas ruas a Marselhesa, o hino da revolução. 

4ª fase - O Diretório

    Em setembro de 1795, prepara-se a nova Constituição. A Convenção Revolucionaria desaparecia e cedia lugar a um tipo de governo exercido por um Diretório, composto por cinco membros representando o poder executivo, e duas Câmaras; uma delas era o Conselho dos Anciãos, e a outra, o Conselho dos Quinhentos, ambos representando o poder legislativo. O governo do Diretório suprimiu o voto universal, implementado pela Convenção e restabeleceu o voto censitário. Isto significa que todos os esforços feitos pela maioria do povo francês foram aproveitados pelas novas classes ricas. 

A política interna do Diretório

    Internamente, a política do Diretório era totalmente voltada às novas classes ricas. O comércio ficou totalmente liberado e sem restrições, significando que os setores pobres da população arcavam com a alta dos preços e com a inflação. A corrupção havia se tornado quase oficial. A alta burguesia jogava desenfreadamente na bolsa para auferir lucros cada vez maiores.

    Alguns antigos militantes jacobinos, liderados por Gracus Babeuf, exprimiam suas insatisfações no jornal A Tribuna do Povo, de propriedade do líder. Esse jornal clamava pela volta da Constituição de 1793 e pelo fim dos privilégios. Pedia também que o que fora proposto na Declaração dos Direitos do Homem não continuasse só no papel, como até então. Babeuf começa a conspirar e a organizar uma grande rebelião popular para tomar o poder e estabelecer uma sociedade mais justa e sem privilégios.

    Mas, um dos seus agentes militares denunciou a Conjuração dos Iguais (movimento assim conhecido). No dia l0 de maio de 1796, imediatamente, Babeuf e seu companheiro Buonarotti foram presos. Depois de um ano, Babeuf foi condenado à morte pela guilhotina. Esta tentativa de estabelecer um governo popular na França foi violentamente reprimida pelas altas classes enriquecidas. 

A política externa do Diretório

    Essa política pautava-se pela tentativa de vencer os inimigos da França e, se possível, aumentar os domínios franceses na Europa, numa tentativa de anexação dos territórios conquistados, principalmente a leste (pedaços da atual Alemanha até o Rio Reno) e ao sul (a anexação de uma região chamada Lombardia, ao norte da Itália). O militar encarregado dessas anexações foi o jovem e habilidoso General Napoleão Bonaparte, que cumpriu perfeitamente a missão expansionista, já delineada nessa nova fase do capitalismo. Napoleão garantiu todos esses territórios ao governo do Diretório assinando um tratado com a Áustria, na cidade de Campo Fórmio, no qual esta reconhecia o direito da França de se apossar dessas regiões em troca de outras concessões. 

18 de Brumário - o golpe em nome da burguesia

    A situação era extremamente grave. A burguesia, em geral, apavorada com a instabilidade, esquecia seus ideais de liberdade, pregados alguns anos antes, e pensava num governo forte, numa ditadura, se fosse preciso, para restaurar a lei e a ordem, para restabelecer as condições de se ganhar dinheiro de uma forma segura. Todos sabiam que a única pessoa que poderia exercer um governo desse tipo deveria ser um elemento de prestigio popular e ao mesmo tempo forte o suficiente para manter com mão de ferro a estabilidade exigida pela burguesia. Nesse momento, quem reunia essas condições era o jovem general que tantas glórias já havia trazido para a França (e outras mais ainda estavam por ser conseguidas): Napoleão Bonaparte.

    No dia 10 de novembro de 1799 (18 de Brumário, pelo calendário revolucionário), Napoleão retorna do Egito, e, com o apoio de dois outros políticos, dissolvem o Diretório e estabelecem um governo conhecido pelo nome de O Consulado. 

O governo de Napoleão Bonaparte (1799-1814)

    Foi a partir do golpe do 18 Brumário, 9 de novembro de 1799, que Napoleão Bonaparte assumiu o governo francês. sua chegada ao poder significou a solução para os distúrbios de um governo anterior que oscilava entre a ameaça terrorista e a ameaça monarquista.

    As reformas administrativas implementadas na período napoleônico foram um dos aspectos de maior durabilidade do governo. Medidas que foram implantadas naquele momento permanecem até os dias de hoje na administração francesa. O remanejamento administrativo centralizou o governo sob a égide de Paris. No aspecto político tudo levava a crer que na verdade a sociedade francesa estaria diante de uma autocracia mal disfarçada.

    O Código Civil fixado em 1804 foi responsável pela fixação dos tragos da moderna sociedade francesa e também servil de exemplo para diversos Estados europeus que nele se inspiraram, adotando-lhe seus princípios e reproduzindo-lhe as disposições.

    Como estadista Napoleão ratificou a redistribuição de terras levada a efeito pela Revolução permitindo inclusive que o camponês médio continuasse a ser um lavrador independente reformou o sistema tributário fundando o Banco Francês com o objetivo de exercer maior controle nos negócios fiscais. As obras publicas, drenagem dos pântanos, construção de pontes e redes de estradas e canais, foram realizadas sobretudo com objetivos militares bem como para conquistar o apoio da burguesia.

    A educação mereceu atenção especial por parte do imperador que instalou escolas publicas elementares em cada aldeia ou cidade francesa e fundou um escola normal em Paris para preparação dos professores.

    A política externa de Napoleão Bonaparte foi marcada pelo fim da diplomacia tradicional fundamentada sobretudo sobre alianças dinásticas, acordos matrimoniais ou conveniência dos soberanos Durante o período em que esteve a frente do governo francês deparou com inúmeras guerras, que resultaram em importantes mudanças na orientação da historia contemporânea, provocando a ira e a oposição das forças conservadoras e reacionárias representadas pela Santa Aliança.

    A exemplo da guerra de conquista e exploração imperial destacamos um conflito fundamental que alterou as relações européias, durante o período em questão, entre a França e a Grã-Bretanha, refletindo na política comercial européia. No dia 21 de novembro de 1806 foi decretado, pelo governo francês, o bloqueio continental vedando aos neutros o acesso aos portos franceses e proibindo a introdução de todos os produtos britânicos no continente. Tal medida justificada pelo desejo de Napoleão eliminar seu principal concorrente para alcançar total predomínio comercial nos mercados europeus bem como o controle dos mercados coloniais e ultramarinos.

    Todo esse quadro a nível interno e externo, fez surgir o mito napoleônico, o "pequeno cabo" como era denominado pelos seus aficionados, e o bonapartismo, doutrina pregada por aqueles que eram a favor do modelo imperial estabelecido por Napoleão na França.

    Entretanto não se pode negar que Napoleão Bonaparte destruiu o legado da Revolução jacobina, inspirada no sonho da igualdade, liberdade e fraternidade. Pela sua tirania foi acusado por seus opositores de ter sido o principal responsável pela "experiência abortada da França".

"Bonaparte praticou uma traição parricida, pervertendo os poderes que lhe haviam sido confiados na qualidade de magistrado republicano, para chagar à subversão da república e à instituição de um despotismo militar em seu benefício e no de sua família. Se ele houvesse exercido seus poderes honestamente para estabelecer e fortalecer um governo livre em seu país, a França gozaria agora da liberdade e do repouso, e, tendo seu exemplo atuado diretamente, cada nação da Europa se beneficiaria de um regime sobre o qual a vontade do povo exerceria um certo controle. Seu egoísmo atroz bloqueou o progresso salutar dos príncipes e o inundou de rios de sangue que ainda não se esgotaram. E há ainda muito a acrescentar à considerável soma de devastação e de miséria por que foi responsável..."



Quando as pessoas pensam em "Ativismo", a maioria vislumbra alguma forma de programa de sensibilização de consciência ou protesto público de desobediência. Embora estas formas de Ativismo sejam funcionais e importantes, eles freqüentemente só funcionam em um nível limitado, geralmente sob pena de afrontar as causas, normalmente falhas em atingir as causas primordiais.

De fato, nossa sociedade inteira tende a resolver todos e quaisquer problemas sociais de um ponto de vista superficial. Por exemplo, milhões de pessoas nas prisões dos EUA estão lá com base unicamente nas supostas ações "ilegais" dessas pessoas, com pouca, ou nenhuma consideração quanto ao que ocorreu na experiência dessa pessoa para causar a ação.

Este é um ponto importante, porque o "Movimento da Verdade" que existe hoje, ao passo de fazer um bom trabalho em educar pessoas sobre os seus problemas, fica muito aquém no que diz respeito a efetivamente realizar algo. Isto acontece porque eles operam dentro de uma compreensão míope sobre o que é o verdadeiro problema. Assim como todos os outros elementos da sociedade, o "Movimento da Verdade" criou facções, que, fora do ego, serve a competição ao invés de unificar. Além disso, nenhuma disposição holística, logicamente derivada, e filosófica é entendida.

Por exemplo, é freqüente ouvir sobre esta coisa que se chamou de "Movimento Patriótico". Não somente este é um conceito antiquado, mas totalmente ofensivo e contrário a unificar.
Todos deveriam saber que, nesta fase em nossa evolução social, nós como seres humanos não podemos permitir a consolidação de "Um Governo Mundial", porque Religião/Coorporativo/Governo/Instituições Bancárias que governam nosso mundo só manifestarão mais tirania e domínio totalitário .

Esta é a tendência que nossos sistemas sociais criam - a necessidade em consolidar poder, e às maiorias dos extremos. Como uma analogia, ‘Corporate America’ continua a monopolizar o setor de vendas a varejo produzindo potências varejistas como Walmart, acarretando a falência de pequenos varejistas locais.

O Walmart é um exemplo de como o jogo econômico mundial funciona. É um passo lógico no auto-interesse escuso de uma companhia fazer coisas como usar trabalho barato de países pobres, derrubando o preço de cada produto, e construindo megalojas enormes em cidades pequenas, conseqüentemente destruindo as lojas menores nas cidades que com eles não podem competir.

Isto é essencialmente o que os Sistemas Bancários do Ocidente fazem com o mundo. Está a absorver tudo o que quiserem para reduzir e eliminar a competição. O “Governo Mundial” que o Conselho em Relações Exteriores e de numerosos outros déspotas fala, é meramente uma manifestação da tendência incorporada de reduzir competição e consolidar poder... não diferem da Walmart.

Os Estados Unidos, e as instituições bancárias por trás deles, operam completamente e inteiramente como uma Corporação. Seu interesse inteiro está na auto-perpetuação de sua instituição. Eles não se preocupam com as pessoas - Eles não dão recursos para elas.
Agora então, o Movimento Patriota, num certo nível, funciona muito bem em seu trabalho contra a União Norte-Americana e coisas deste tipo. No entanto, é também contraditoriamente muito produtivo porque implica apoio para "América" e nada mais, por definição.

Na realidade, os problemas com as elites que trabalham para criar um “Um Governo Mundial” não são resolvidos em protestos para "América". Aliás, trata-se de uma disposição inteiramente parcial, tendenciosa e inadvertidamente racista dizer coisas como "América é a maior nação no mundo", é a América, assim como todos os países, outra manifestação de milhões de anos de desenvolvimento pelos seres humanos de todas as nacionalidades.

Além disso, "Juras a Bandeira - Promessas de Fidelidade" são uma invenção horrível, que serve a mesma operação subjacente - para Separar e criar Arrogância.

Religião, raça, classe, patriotismo e todas as outras noções arrogantes de domínio e separatismo é o verdadeiro problema. Devemos que compreender como seres humanos é que nossas religiões, raças, classes, nacionalidades, e mesmo medo, avareza e arrogância próprias são ‘lições’, associações que foram ensinadas. Eles não são mais que uma parte de você, como as roupas que você usa, e você estão livres para despir-se delas a qualquer hora e descobrir quem realmente é.
Portanto, a verdadeira realidade para o Ativismo reside não só em protestos de "divisão" e desobediência que estejam relacionadas às questões lançadas, mas também na análise crítica do ambiente social que começa com a criação dos problemas.

Podemos continuar a matar as baratas que mantêm visitas em nossas cozinhas, mas até nós acharmos o buraco na parede ou o alimento estragado atrás do refrigerador, elas acabam sempre por retornar.

Terei mais sobre este ponto no futuro.

A loucura que criou a crise

Por: Nicolau Santos

Se alguém quer mesmo saber porque o sistema financeiro norte-americano deu o estouro que se sentiu em todo o mundo, então recomendo que leia "O Lobo de Wall Street", de Jordan Belfort. É uma história verídica, que dá conta da ganância e loucura de muitos que faziam girar triliões de dólares em Wall Street.

Belfort começou a trabalhar como corretor na LF Rothschild em 4 de Maio de 1987, aos 24 anos. Aprendeu rapidamente e em 1989 estava à frente da sua própria sociedade corretora, a Stratton Oakmont, e a caminho de ser multimilionário em menos de dez anos, tornando-se um ícone do empresariado norte-americano.

Na Stratton, "onde a sala de corretagem mais agressiva da América fazia a insanidade parecer perfeitamente normal", a maioria dos que lá trabalhavam tinha pouco mais de vinte anos, mas ganhava dinheiro como nunca, ao vender ferozmente, como pitbulls, acções entre quatro e dez dólares aos investidores mais prósperos da América, convencendo-os a especular com milhões. Um corretor de acções caloiro esperava ganhar 250 mil dólares no primeiro ano ("qualquer coisa a menos e ele era suspeito"), 500 mil no segundo ("ou era-se considerado fraco e sem valor") e no terceiro "era melhor estar-se a ganhar um milhão ou mais ou então era-se motivo de chacota". Por isso, à porta da Stratton havia intermediários tentando vender-lhes mansões, bancos assegurando financiamento, uma fila de vendedores oferecendo Porsches, Mercedes, Ferraris e Lamborghinis, chefs reservando lugares nos restaurantes mais caros, cambistas propondo bilhetes na primeira fila para eventos desportivos, espectáculos na Broadway ou shows de rock, e joalheiros, relojoeiros, alfaiates, amestradores de animais, etc.

A par disso, a droga circulava com fartura entre os corretores, a prostituição era praticada na própria sala de corretagem, nos elevadores, etc, e paga com cartões de crédito, mas também havia diversões absurdas, desde levar todo o tipo de animais de estimação para o escritório até jogos como atirar um anão de um corretor para outro, perdendo aquele que o deixava cair ao chão...

Jordan Belfort era, claro, a estrela daquilo que chamava "estilo de vida dos ricos e malucos", dirigindo um helicóptero Bell Jett de hélices duplas, calçando botas de pele de crocodilo de 2400 dólares, embalando o berço da filha de 60 mil dólares, vivendo numa mansão em Long Island, dormindo sob um lençol de seda de 12 mil dólares e, como ele diz, com uma quantidade de drogas correndo no seu sistema circulatório capaz de sedar a Guatemala inteira.

É óbvio que, por mais brilhante que Jordan fosse, mesmo na América não se chega a multimilionário em cinco anos sem que haja mais alguma coisa além de talento e sorte. Na verdade, Belfort colocava acções de empresas no mercado, cujo valor depois controlava usando a sala de corretagem. Se depois o dono da empresa não colaborasse, Belfort utilizava o seu poder para derrubar o preço das acções até chegarem aos centavos.

Colaborando, fazia subir o preço das acções através de vendas maciças. E em novas emissões garantia para si uma parte que comprava abaixo do preço do mercado, vendendo depois as acções com um lucro enorme. Além disso, utilizava testas-de-ferro para comprar mais acções do que a legislação lhe permitia.

Contudo, o dinheiro ganho ilegalmente tinha de ser colocado em local seguro, onde as autoridades americanas não começassem a fazer perguntas acerca da sua proveniência. E assim Belfort lá abriu uma conta num banco suíço, em nome de uma tia da sua mulher, bem como duas empresas fictícias nas Ilhas Virgens britânicas, onde não se paga impostos nem há regulamentos a seguir. Pelo meio, havia documentos falsificados e pessoas que serviam de correio para transportar o dinheiro para fora dos Estados Unidos.

Tudo foi correndo bem, até que morre a referida tia e um dos correios é detido e dá com a língua nos dentes. Belfort é obrigado a negociar com as autoridades o seu afastamento da presidência da Stratton e a empresa acaba por encerrar ao fim de oito anos. O seu passado profissional, contudo, continua a persegui-lo. E assim em 1999, Jordan Belfort, "O Lobo de Wall Street", é finalmente preso por fraude mobiliária, lavagem de dinheiro e outros crimes e acaba por cumprir uma pena de 22 meses numa prisão federal.

Foram pessoas como esta, brilhantes financeiramente mas ganaciosas, amorais e que sempre desprezaram as empresas produtivas, que durante duas décadas fizeram girar triliões em Wall Street, inventaram todo o tipo de veículos financeiros sem que ninguém soubesse exactamente que risco continham e alavancaram a economia mundial a um ponto que já nada tinha a ver com a economia real. O resultado é a devastadora crise em que caímos.

A fraude do rating da S P

Já aqui escrevi sobre a descida do rating da República decidido pela Standard e Poor's, mas a situação é demasiado escandalosa para não voltar ao assunto.

Com efeito, a Standard e Poor's, avisou quatro países da zona euro de que o seu rating estava sob vigilância e, menos de uma semana depois, a três deles (Grécia, Espanha e Portugal) baixou-lhes o ratingpara AA+ sem apelo nem agravo. O quarto, a Irlanda, cujas previsões de recessão (-5%), défice orçamental (-11%) e situação do sistema financeiro são bem piores do que em Espanha e em Portugal, continua a manter a classificação de AAA. Também o Reino Unido mantém o triplo A, confirmado a 13 de Janeiro, apesar de em termos relativos a economia inglesa se ter afundado muito mais e da banca estar falida e à beira de ter de ser nacionalizada.

Isto é injusto, incoerente, não tem qualquer justificação e afecta profundamente a vida dos cidadãos dos países a quem a Standard e Poor's, como os imperadores romanos, decide que têm de pagar mais do que outros em situação pior.

Além do mais, a Standard e Poor's, falhou redondamente na crise do crédito imobiliário nos Estados Unidos, tendo de rever, no mesmo dia, a notação de mais de 90 (!) activos financeiros ligados aquela área de actividade. E falhou no rating da AIG, da Lehman Brothers, da Islândia. Falhou, falhou, falhou. E até agora não pediu desculpa, não se retratou, e está a dar ratings onde beneficia claramente os países anglo-saxónicos em detrimento dos países mediterrânicos.

Aliás, também é inadmissível que as três únicas agências mundiais de rating sejam norte-americanas (SP, Moody's e Fitch), pelo enviesamento de análise que isso implica: os americanos dividem o mundo entre os bons (eles e os países que falam inglês) e os outros, de que há que desconfiar.

A Comissão Europeia têm de avançar com um modelo de supervisão das agências de rating, com a possibilidade de as sancionar ou mesmo suspender. E tem de incentivar o aparecimento de uma agência europeia de rating. É um contrapeso essencial ao estado indecoroso em que se encontra hoje o rating a nível mundial.

O mundo à beira do colapso

A catadupa de más notícias que não param de chegar, com os despedimentos a aumentarem em todo o mundo a um ritmo vertiginoso - a Organização Internacional de Trabalho estima que o desemprego pode crescer até 50 milhões, atingindo 230 milhões de pessoas no planeta - torna evidente aquilo que ainda nos recusamos a admitir: a economia mundial está à beira do colapso.

Esse colapso decorre do facto dos três motores que fazem crescer as economias (exportações, investimento e consumo) estarem a entrar em falência ao mesmo tempo, devido à crise de confiança que alastra como uma mancha de óleo entre os agentes económicos (bancos, empresas, cidadãos). E de, pela primeira vez na história da humanidade, os três blocos económicos que representam 63% do PIB mundial (Estados Unidos, Europa e Japão) se encontrarem ao mesmo tempo em recessão.

Além disso, convém não criar ilusões: estamos ainda longe do fim da crise, como a cada momento nos lembram as notícias de novos despedimentos na indústria, banca e serviços em todo o globo. E vamos assistir a mais e maiores convulsões sociais e políticas, como o demonstram o cerco ao carro do primeiro-ministro islandês por manifestantes, que acabou por se demitir, bem como as greves em França.

A questão é que esta é uma crise do novo tipo, de proporções inimagináveis. Mas os governos estão a combatê-la com instrumentos e meios talhados para responder a crises clássicas e circunscritas, pela que a sua eficiência é bastante menor.

Uma coisa é certa: conter o aumento do desemprego é verdadeiramente crucial, sob pena de à crise financeira, económica e social, se seguir uma crise política global, de consequências verdadeiramente imprevisíveis (que, no passado, acabaram sempre em grandes guerras). Como se faz isso? Um pequeno contributo será dado se, em todas as empresas, os que ganham mais, aceitarem reduzir os seus salários em 5% ou 10% para evitar despedimentos - porque é fundamental impedir que esse flagelo atinja tais níveis que descambe em incontroláveis tumultos sociais.

Autor: Nicolau Santos

Vale a leitura de alguns comentários na fonte: A loucura que criou a crise.


http://www.zeitgeist-revolution-is-now.blogspot.com/
"Todos os homens têm direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber, transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras."

Artigo XIX, Declaração Universal dos Direitos Humanos, Paris - 1948

terça-feira, 19 de maio de 2009


É reconhecida a influência que Haile Selassie teve sobre o movimento negro, em especial em lideranças do movimento negro, como Martin Luther King e Nelson Mandela. Além disso, Selassie é encarado como um messias por parte de uma religão de origem jamaicana, o Rastafári, que crê que Haile Selassie vive, conduzirá os negros de volta à África, e é Deus Vivo.Texto esse que serviu de inspiração para a música “War” que se tornou um dos maiores clássicos de Bob Marley.

"Enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada; enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria de qualquer nação; enquanto a cor da pele de uma pessoa não for mais importante que a cor dos seus olhos; enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida mas nunca alcançada. E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignóbeis que suprimem os nossos irmãos, em condições subumanas, em Angola, Moçambique e na África do Sul não forem superados e destruídos, enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malícia e os interesses desumanos não forem substituídos pela compreensão, tolerância e boa-vontade, enquanto todos os Africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como são no Céu, até esse dia, o continente Africano não conhecerá a Paz. Nós, Africanos, iremos lutar, se necessário, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitória do bem sobre o mal".

Poucas pessoas sabem o que significa esta bandeira. 
Explicarei, esta é a bandeira da Etiopia.
Segundo descobertas recentes, a espécie Homo sapiens pode ter sido originada nesta região – Etiópia, junto com os países vizinhos deEritréiaSudãoDjiboutiSomália e Somalilândia hospedaram também o reino de Axum cujas origens remontam aos reinos de Sabá (ou Shebah) no Iêmen referidos na Bíblia que, aparentemente, por volta do ano 1000 a.C., abrangiam todo o Corno de África e parte da Península Arábica. Fontes gregas referem que o reino de Axum era extremamente rico no século I e a cidade de Adulis (que fica no país vizinho de Eritréia) é frequentemente mencionada como um dos mais importantes portos de África. Registos oficiais, contudo, colocam a cidade de Axum como a capital onde se encontrava a corte da Rainha de Sabá. Esse reino tinha, no século II, direito a tributo de estados da Península Arábica e tinha inclusivamente conquistado o reino meroítico deKush, no actual Sudão. Há indicações do carácter cosmopolita desse reino, com populações judaicasnúbiascristãs e mesmo minorias budistas.



1 transformação profunda da sociedade e do poder 2 transformação importante